quarta-feira, dezembro 26, 2012

Vídeos de concertinas

Decidi colocar aqui alguns vídeos de concertinas que fui buscar ao youtube, por forma a demonstrar o quão preciosa é a concertina e melodioso o seu som.
Se quiserem podem enviar vídeos e sons de concertinas para eu postar.


segunda-feira, setembro 11, 2006

Sendo o acordeão um instrumento, não-tradicional, porque é que se continua a insistir na sua utilização?


Sendo o acordeão um instrumento, "não-tradicional", porque é que se continua a insistir na sua utilização?
Quando eu refiro que o acordeão não é um instrumento tradicional, refiro-me à cultura popular de inícios do século XX (1900-1920 inícios de 30), que é a época que se pretende recriar através dos Grupos/Ranchos Folclóricos, o acordeão é um instrumento que existe desde o século XIX, mas que em Portugal não entra na cultura popular.
O acordeão terá entrado em Portugal, nos grupos, aquando da criação dos Ranchos Folclóricos pelo Estado Novo, por volta de 1940, vulgarizando-se o seu uso. O Estado Novo, através do Secretariado da Propaganda Nacional – SPN, criado em 1943 e, mais tarde, a partir de 1945 designado por Secretariado Nacional de Informação - SNI procurou entreter o povo com a criação destes grupos que supostamente refletiam a cultura popular do nosso país, numa tentativa de difusão do ideário nacionalista procurando padronizar a cultura e as artes do regime do Estado Novo, apoiado nesta tarefa pela actuação dos serviços de censura.  

Nada mais falso! 
Pois a maior parte destes Ranchos não passaram de meros Grupos Carnavalescos que eram usados única e exclusivamente como mero entretém da população, numa política de "pane et circum". Algumas danças eram inventadas, outras deturpadas e alguns cantares foram recompostos, adicionaram-se-lhes alguns passos e assim diziam que se fazia, rotulando de originais. O mesmo se passou com a criação de alguns trajes que supostamente refletiam os usos e costumes de cada região.
Com a criação em 1978 da Federação do Folclore Português tentou-se criar um organismo que reorientasse os grupos para um trabalho de pesquisa, recolha etnográfica e etnofolclórica, por forma a repor alguma verdade, naquilo que ainda era possível repor. Alguns Grupos/Ranchos procuraram pesquisar e registar os usos e costumes da sua região, mudando o rumo dos seus grupos/ranchos, outros preferiram o mais fácil manter o que está porque é mais bonito, ou porque era o mais fácil de se fazer.
Veja-se o caso de danças como o corridinho algarvio, uma invenção para entreter turistas.
Foi então que alguns grupos na busca da "verdade histórica" substituíram os acordeões pelas concertinas, e alguns até pelas "sanfonas", acordeões de uma só carreira [fila] de botões com afinação em dó, que seriam um instrumento mais popular embora se saiba que na maior parte das regiões o mais usual seria a "gaita-de-beiços", o bombo, os ferrinhos, a viola beiroa, a campaniça ou a braguesa, de acordo com as regiões, entre outros, com destaque especial para a voz, o principal instrumento de produção musical.

quinta-feira, julho 06, 2006

Concertina


Concertina
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O instrumento chinês Cheng, que foi introduzido na Europa em 1777, parece ter estado na origem das ideias utilizadas para o desenvolvimento da concertina.
Em 1821, Haeckel em Viena e depois Buschmann na Alemanha inventaram instrumentos para soprar com a boca com palhetas livres. Buschmann adicionou foles um teclado de botões no ano seguinte, para poder ser tocado com as mãos, tornando esse instrumento como o primeiro antepassado reconhecível da concertina. Finalmente, em 1829, Cyrillus Damian, um construtor de instrumentos radicado em Viena, adicionou acordes no baixo, e patenteou este instrumento como acordeão (Paralelamente, Sir Charles Wheatstone patenteou a concertina em 1829 e Heinrich Band em 1840 inventou o Bandonioni).
O Acordeão de Demian chega um ano depois a Paris, onde numerosos construtores o vão melhorando durante o Séc.XIX, salientando-se várias fases: a substituição de acordes por sons simples em cada botão; o aparecimento do acordeão misto, em que alguns botões dispunham de um som a fechar e outro a abrir, enquanto que outros botões produziam um som único; e, o aparecimento do Acordeão de teclado (cópia do teclado de piano).
A partir do Acordeão misto derivam duas vertentes: uma que vai dar o Acordeão de botões com um som por cada botão, e outra, que vai dar origem ao Acordeão Diatónico composto por uma, duas, ou três carreiras de botões com a emissão de dois sons por botão, conforme o movimento do fole.
Enquanto que os Acordeões de teclado e de botões dispõem usualmente, na mão esquerda, de sessenta, noventa, ou cento e vinte botões de baixos, o Acordeão diatónico dispõe somente de quatro, oito, ou doze, conforme tem na mão direita uma, duas, ou três carreiras, respectivamente.
Pensa-se que a Acordeão diatónico chegou a Portugal na mesma altura a que chegou a Espanha (1873) adoptando o nome de “Concertina”. Em Portugal designa-se por concertina o que algumas pessoas no nordeste brasileiro chamam "sanfona" (sem distinguir por vezes a concertina e o acordeão) e que na Irlanda corresponde a um pequeno instrumento hexagonal, também de palhetas livres.

No séc. XIX, a concertina tomou o lugar da harmónica como instrumento favorito. Era muito popular na Estremadura, onde rivalizava com as Gaitas de foles. Nos dias de hoje tem especial vitalidade no Minho, onde são tocadas por ocasião dos bailes e nos cantares ao desafio.

Contexto social e musical

http://bp1.blogger.com/_TpJfUToKAt0/R_vKY0IhyOI/AAAAAAAAAAo/2D8b4MUKxBA/s320/concertina.jpgHoje em dia, a concertina substituiu em toda a faixa litoral os cordofones que antes dominava a música festiva e lírica de tipo recente: cantares de festa e coreográficos alegres e vivos, “chulas”, rusgas, cantigas românticas e satíricas, cantares de desgarrada, fados, serenatas e tunas; na região raiana Beiroa assim como no Campo Alentejano, a concertina é usada, tal como no Ocidente, para música lúdica e festiva: “saias”, “despiques”, “modas” mais alegres e vivas. No entanto, hoje em dia a concertina sai da esfera estritamente lúdica e aventura-se em ocasiões sagradas. De resto, com a carência da obrigatoriedade estrita e a progressiva quebra de força da velha tradição, podemos hoje ver a concertina (que conhece maior difusão que a viola) em ocasiões cerimoniais onde há pouco não figurava. Por exemplo, em Creixomil, na região de Barcelos, ouvimos uma primeira parte de uns cantares de reis onde as vozes cantam a pedir o donativo, de uma forma grave e austera, com a concertina a sublinhar a linha melódica.
Atualmente, por toda a parte, os cordofones tradicionais vão sendo postos de parte, aparecendo a par deles, ou em sua substituição, a concertina e o acordeão. Na faixa litoral do alto Minho, por exemplo, pode-se mesmo dizer que o único instrumento que hoje se ouve nas rusgas, bailes de terreiro, romarias e outras festas, é a concertina.
Na Serra duriense, nas tocatas que acompanham a dura faina da vindima, está presente a concertina. Mais tarde, durante o bailarico e festa final da “entrega do ramo” aos patrões, esta tocata consegue suscitar a atmosfera lúdica dessa duríssima quadra.

Especificidades técnicas do instrumento

É um aerofone de palhetas livres que são acionadas por meio de um fole que une os dois teclados. Trata-se de um aerofone de palhetas livres que são acionadas por meio de um fole que une os dois teclados. O teclado da mão direita produz as notas, enquanto o teclado da mão esquerda produz os acordes e baixos de acompanhamento.
É um instrumento largamente difundido na música de raiz tradicional e Popular Europeia, embora tenha surgido apenas no princípio deste século (20), depois de construtores alemães terem transformado os seus primórdios chineses, nomeadamente na utilização de palhetas metálicas.
Este instrumento tem a particularidade de emitir notas distintas quando se prime uma tecla e se aciona o fole em cada sentido, o que o distingue do acordeão (que emite sempre o mesmo som, independentemente do sentido com que se aciona o fole).
São muitos os instrumentos que funcionam a partir de palhetas simples, duplas ou batentes (saxofone, clarinete, oboé, fagote, órgão, palheta). Ao contrário dos outros tipos de lamelas vibrantes, a palheta livre move-se livremente no ar graças à sua elasticidade: ela não vibra contra nenhum suporte.
A palheta livre metálica é o princípio sonoro da concertina. Esta palheta é uma lamela de cana ou metal, onde uma extremidade está fica e a outra vibra sob a pressão do ar que circula pela ação do fole. Ela está fixada por uma das suas extremidades num suporte de madeira (chassis) onde foi perfurada uma abertura: a janela. No interior desta, sob a pressão do ar que vem do fole, a palheta desloca-se para um e outro lado do seu eixo, provocando uma vibração que está na origem do som da concertina. A alimentação do ar é feita alternadamente, de acordo com o movimento de     abertura ou de fecho do fole, que faz com que o ar de um lado ou do outro do suporte de madeira; como a palheta apenas vibra do lado onde ela está fixa: é por isso que na concertina sendo estas duas palhetas diferentes, o som emitido a fechar ou abrir o fole é também ele diferente. A pele de couro evita eventuais vibrações parasitas da lamela que não está a vibrar. A palheta é afinada com a ajuda duma lima (quando se lima a base, o som fica mais grave; quando se lima a extremidade o som fica mais agudo).

Afinação

As primeiras concertinas tinham apenas dez botões do lado direito. A cada botão correspondem pelo menos duas palhetas (e podem chegar a ser dez) com notas diferentes no abrir e no fechar do fole. Os baixos e os acordes relevantes são a raiz da escala no fechar do fole e a quinta do acorde no abrir do fole.
As concertinas podem ter uma fileira de botões, com dez botões. Dada a característica da concertina, a estes dez botões correspondem 20 notas diferentes, dez     no abrir do fole e dez no fechar do fole. A uma fileira correspondem apenas dois botões de baixo (lado esquerdo), com dois acordes e dois baixos. Da necessidade de tocar em diferentes tonalidades (de forma a se poder tocar com outros instrumentos), surge a concertina com duas fileiras de botões do lado direito e oito baixos do lado esquerdo.
A cada fileira corresponde uma tonalidade, podendo a concertina estar em Sol–Dó, Dó– Fá, ou qualquer combinação que o construtor ou o tocador tenham ensejo de tocar. Com três fileiras o esquema repete-se, podendo a ter concertinas em Sol – Dó – Fá, Ré – Sol –Dó ou qualquer outra afinação. Neste caso, esta concertina tem normalmente doze baixos. Outras concertinas, como por exemplo a concertina italiana, tendo por base duas fileiras, têm algumas notas suplementares numa terceira fileira (cinco ou seis botões) que são as alterações cromáticas, permitindo     ao tocador uma vasta gama de tonalidades e opções interpretativas. Hoje em dia muitos tocadores pedem afinações muito específicas ao construtor, de forma a que o instrumento se adapte às suas necessidades e criatividade.
As concertinas mais comuns na música popular portuguesa são normalmente afinadas em Sól-Dó. Por exemplo, no caso da música cabo-verdiana é mais comum encontrar concertinas com afinação em Fá-Dó.

Técnica do tocador

http://bp2.blogger.com/_TpJfUToKAt0/R_vLAEIhyPI/AAAAAAAAAAw/JiTCHCYkDWM/s320/Concertina-1.jpgO teclado principal, tocado com a mão direita, produz as várias notas (numa escala diatónica, ou seja, só com os tons principais) enquanto o teclado da mão esquerda produz os acordes de acompanhamento.
A mão direita: a mão direita toca num teclado de botões, que fazem a melodia. A mão esquerda toca os baixos e os acordes, podendo também operar o botão do ar. O pulso esquerdo passa pela correia dos baixos permitindo ao braço esquerdo movimentar os foles. A concertina é sustentada pelo tocador através de tiras de cabedal, que facilitam o suporte do instrumento. Na maior parte das vezes o instrumento é tocado sentado.
(Extraído e adaptado do Livro “Instrumentos Musicais Populares Portugueses” de Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira - Gulbenkian 2000).

terça-feira, junho 06, 2006

Instrumentos Tradicionais

Quais são os instrumentos tradicionais de cada zona e estarão os grupos a utilizá-los? Gostava que vós que participais no meu blog me fornecesseis informações sobre os instrumentos das Vossas regiões.


O Folclore e os seus problemas

Pois é, finalmente consegui criar o espaço que pretendia para discutir um tema, tão mal amado e tão mal olhado que é o FOLCLORE.

Antes de mais o que é o Folclore?

Bom, a palavra folclore deriva do Inglês “folk, (povo) + lore”, é a ciência das tradições, crenças, costumes e artes populares.
Ligado ao Folclore encontram-se outros termos que complementam o estudo desta ciência, como sejam a Etnografia e a Etnologia.

O que é a Etnologia e a Etnografia?

Etnologia deriva do Grego “éthnos”, (raça) + “lógos”, tratado, ciência, é a ciência que estuda os factos e documentos recolhidos pela etnografia, o mesmo é dizer o estudo dos povos e das raças, nos pontos de vista dos seus caracteres psíquicos e culturais, das suas diferenças e afinidades, das suas origens e relações de parentesco, etc.

A Etnografia deriva do Grego “éthnos”, (raça) + “graph”, de “graphein”, que quer dizer descrever. Isto é, a etnografia é a ciência que estuda os povos, suas origens, suas línguas, religiões, costumes, etc. A Etnografia procura descrever, isto é, grafar, escrever, recolher dados para que a Etnologia os estude.
Olhando para estas breves definições que se encontram em qualquer dicionário ou enciclopédia gostava de dizer, que na minha opinião, para que um trabalho de recolha, seja feito de uma forma séria e mais correcta devem estar presentes para além destes termos, um outro muito importante, que é a base da Filosofia, o questionar tudo. Nunca tomar como inquestionáveis os dados que se têm, pois se os aprofundarmos bem poderemos descobrir que afinal as coisas não serão exactamente como as recolhemos.
Todo este processo de recolha é difícil e moroso, pois é feito normalmente, junto de pessoas mais idosas, que muitas vezes já não se lembram exactamente como eram as coisas e poderão de alguma maneira, passo a expressão, “reinventar” as coisas.
Daí que devamos sempre que possível suportar o nosso trabalho de recolha com documentos que possam de alguma maneira comprovar que realmente as coisas seriam assim. Deveremos sempre que possível suportar historicamente todo o nosso trabalho de recolha.
Não nos devemos esquecer que pretendemos representar uma determinada época e uma determinada região.
Devido a esta necessidade de aliar todos estes processos de recolha e confirmação de dados não devemos, por um lado, ter pressa em apresentar trabalho, passo a expressão, pois como diz o povo e com razão a pressa é inimiga da perfeição. Nem por outro, pensar que o trabalho está acabado, pois este é um processo que está continuamente a ser renovado e questionado.
Pois estão sempre a aparecer novos dados, novas coisas.
O trabalho de um folclorista, de um etnografista e ou de um etnologista, nunca se encontra acabado, pois a fonte onde vai beber, que tem que ser a fonte popular, não pode secar!
Depois desta introdução pergunto:

Saberão os grupos aquilo que estão a representar?

Como é óbvio há bons e maus grupos. Penso que há grupos que desconhecem completamente o que estão a representar, talvez devido a uma má interpretação do material que foi recolhido. De uma maneira geral penso que ao longo da última década, do século passado, os grupos começaram a preocupar-se em saber mais e em corrigirem os "erros" que foram sendo cometidos ao longo da sua existência, e que levaram a que muito do material que faz parte hoje em dia do repertório dos grupos esteja completamente deturpado.

Estarão os grupos a fazer o melhor trabalho de recolha?

Em relação ao trabalho de recolha penso que as jornadas etnográficas e técnicas que se têm vindo a realizar, quer agora pela Federação, quer pelo INATEL e Associações de Folclore e Etnografia têm contribuído para uma melhoria do trabalho que os grupos têm vindo a realizar.

Qual o principal objectivo da Federação do Folclore Português?

O principal objectivo da FFP deveria ser, e penso que é, a defesa do Folclore Português.

Estará a Federação do Folclore Português a fazer um trabalho de supervisionamento dos grupos, procurando corrigir o que está mal?

Bom, quando aqui refiro o trabalho de supervisionamento dos grupos para corrigir o que está mal, não pretendo dizer que a FFP deve ou deverá alguma vez impor o que os grupos devem fazer ou não mas sim tentar através destas discussões geradas pelas jornadas de etnografia e folclore, criar linhas de orientação que levem a que os grupos possam melhorar ou ajudar a melhorar o trabalho desenvolvido.
Não nos devemos esquecer que a FFP não é, nem deve ser, um órgão Inquisitorial, mas deve punir quem deliberadamente faz “mau folclore”. Contudo, devem ser os grupos através de um trabalho sério e honesto que deverão mostrar, o mais fiel possível, os usos, costumes e tradições da sua região.

Estarão os Conselheiros técnicos a fazer o trabalho de supervisão que lhes é exigido?

Acho que o trabalho dos grupos deve ser acompanhado de perto pelos Conselheiros-Técnicos, porque se assim não for, acabem-se com os cargos de Conselheiros-Técnicos de imediato! Os Conselheiros-Técnicos deverão ser pessoas capazes, para ajudarem e avaliarem o trabalho dos grupos. Por forma, a que se definam quais os grupos que representam melhor a sua região e quais os grupos que de folclóricos ou etnográficos só têm o nome.

Não deveria a FFP "expulsar" os grupos que dão mostras de não quererem mudar o que está mal, e, que só estão a prejudicar o bom-nome do Folclore?

Sem dúvida nenhuma!
Não é concebível que façam parte de uma Federação de Folclore, que procura preservar e mostrar as raízes dos nossos antepassados, grupos que só prejudicam o trabalho que se pretende fazer. Grupos que só trabalham para o espectáculo sem se preocuparem com o que deviam estar a representar.
Estes grupos carnavalescos deviam ser expulsos do seio da Federação de Folclore Português, são estes grupos que fazem com que hoje o termo Folclore seja olhado, e perdoem-me a expressão, como um bando de parolos aos pulos!
O Folclore não é Circo!

Não terá o termo Folclore hoje em dia um sentido pejorativo?

Tem, mas cabe a nós enquanto folcloristas e etnografistas mostrar que o folclore é e tem de ser olhado como uma coisa séria. Como a raiz da nossa cultura.

Não deveriam ser tomadas medidas para que o Folclore deixe de ser o parente pobre da cultura portuguesa?

Sim deveriam.

Quais?

Sinceramente não sei.
Deixo à discussão.

Em que medida poderemos melhorar os Festivais de Folclore?

Bom penso que este trabalho está a começar a ser desenvolvido, finalmente pela recém criada Federação de Ajudas aos Festivais Internacionais do Folclore, agora havia de se criar um organismo que abrangesse os Festivais Nacionais.

Mas deixo aqui algumas ideias

. Cumprir os 15 a 20 minutos, que normalmente são dados para a actuação dos grupos.

. Fazer Festivais com o máximo de 6 grupos (6 x 20m=120m), por forma a não saturar quem está a ver.

. Ter um bom sistema de som por forma a que se possa ouvir de uma forma mais agradável o espectáculo que está a decorrer.

. Ter um bom palco para que a actuação dos grupos possa decorrer nas melhores condições.

. Acabar com os chamados festivais de grupos para grupos, pois isso só desmotiva quem actua.

. Limitar os desfiles a pequenos desfiles. Evitar grandes desfiles que só fazem com que as pessoas se cansem.

. Evitar principalmente desfiles, que não tenham ninguém a ver, nestes casos vale mais não se fazerem os desfiles.

. Evitar que os desfiles, assim como as actuações sejam na hora do calor.

. Evitar que haja grandes discursos antes dos festivais, que só levam a um atrasar do início dos festivais, e a uma saturação maior das pessoas que estão a assistir. Quem está presente nos festivais não veio para assistir a grandes discursos políticos, mas sim a um bom espectáculo de Folclore.

Existirá in(formação) suficiente, da parte da Federação para que os grupos possam melhorar o seu trabalho?

Penso que neste caso há. Poderá é não estar divulgada da melhor maneira.
Cabe aos Grupos procurarem essa in(formação).

Não será preciso existir mais formação na área do folclore?

Sem dúvida nenhuma que é necessária uma maior formação sobre as linhas gerais que devem "orientar" os grupos de etnografia e folclore.
Neste aspecto penso que têm vindo a aumentar nestes últimos dez anos o número de acções com vista a uma maior formação nesta área.

Que apoios devem procurar os grupos?

Todos e mais alguns.


Ricardo Monteiro